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Quatro CEO e uma banqueira à volta da IA: ?Não é com 100 milhões [do Estado], que à escala europeia
30/11/2023 20:43

"A revolução das revoluções", como lhe chamou Luís Marques Mendes, na abertura da conferência, esteve em debate na tarde desta terça-feira, 28 de novembro, na Fundação de Serralves. Para o comentador e conselheiro de Estado, a inteligência artificial (IA) "vai ser tão grande ou maior que o da antiga revolução industrial".

 

Estava dado o tiro de partida da conferência "O Futuro: evolução das organizações na era da inteligência artificial", que juntou, num painel sobre "Que futuro para o país e para as empresas?", os CEO dos grupos DST (José Teixeira), Cerealis (Pedro Moreira da Silva) e Sonae Financial Services e Sonae Fashion (Luís Reis), a presidente do Banco Português de Fomento (Celeste Hagatong) e o presidente da Fundação José Neves (Carlos Oliveira.)

 

Só há pouco tempo é que a inteligência artificial entrou no vocabulário de parte do setor empresarial português – é agora uma linguagem mais "habitual", afirmou Carlos Oliveira. O presidente da fundação com o nome do CEO da Farfetch disse que utiliza diariamente ferramentas, como o ChatGPT, mas não lhe pergunta nada "que não saiba um bocadinho".

 

Para Oliveira, a chegada da IA ao mercado é uma revolução "desta década", em conformidade com as palavras de Marques Mendes no discurso de abertura da conferência promovida pela Abreu Advogados.

 

Com a anuência de todos os membros do painel, Oliveira garantiu que Portugal tem a oportunidade, a curto prazo, de aplicar estas tecnologias em benefício da produtividade e dos negócios, de ser produtor e fornecedor de IA, mas que o Estado tem de "fazer apostas sérias". "Não é com 100 milhões de euros, que à escala europeia é zero", considerou.

 

Preocupado com a pouca importância que os empresários portugueses dão à IA, o presidente da Fundação José Neves alertou que, "se a estratégia ou a visão não for experimentar, testar, perceber o que faz bem, o que faz mal e o que pode aumentar a produtividade e eficiência das nossas empresas e da nossa economia, vamos ficar atrasados. Temos de evitar que isso aconteça", avisou.

 

"Não vai ser o fim do trabalho… de maneira nenhuma"

 

Já José Teixeira, CEO da DST, que tinha na manhã desse dia sido notificado da adjudicação dos 117 novos comboios da CP - em consórcio com a francesa Alstom -, disse que a IA é uma questão "incontornável" e lamentou que apenas recentemente "o Estado entendeu dar um empurrão às empresas" no sentido de investir fundos nesta frente.

 

Mas investimento em matéria de IA nas empresas portuguesas vai ser "muito lento", sinalizou. "Sou muito cético. Sou mais adepto de algum tipo de incentivo de economia comportamental", contrapôs. Questionado sobre se a ferramenta cria ou "rouba" postos de trabalho, reiterou que "não vai ser o fim do trabalho… de maneira nenhuma".

 

Opinião partilhada por Luís Filipe Reis, CEO da Sonae Financial Services e da Sonae Fashion (agora Zeitreel), que apontou que "a visão catastrofista de que tudo vai desaparecer" não parece estar em cima da mesa. Ao contrário dos colegas de painel, disse acreditar que a IA vai ser mais barata nos próximos anos, chegando assim a mais empresas. Na que lhe toca, a ferramenta já chegou há uns meses.

 

O gestor deixou ainda duras críticas ao Estado ao ironizar que, mais do que pensar em inteligência artificial, ficaria "satisfeito que tivessem só inteligência".

 

Por sua vez, o CEO da Cerealis realçou a importância do papel do Governo para formar pessoas capazes de levar a IA para empresas e investir "para discutir a competitividade", de forma a resolver a dificuldade em "encontrar talento".

 

O grande desafio, apontou Pedro Moreira da Silva, passa por "aumentar a produtividade" com recurso a estas ferramentas. Assim como os restantes oradores, defendeu que a IA irá trazer resultados positivos de produtividade para as empresas, mas que é necessário, além de aproximar as pessoas à IA, "criar oportunidades de aplicação destes projetos".

 

Uma das oportunidades elencadas por Moreira da Silva é a entreajuda entre grandes empresas e as PME: "As empresas maiores têm a possibilidade de aceder a coisas, é uma questão matemática, tem escala, e essa escala permite aceder a coisas que as PME não podem. Às vezes [as grandes empresas] podem ter um papel nestes saltos tecnológicos, e depois ajudam as PME e puxam por elas", sublinhou,

 

Esta tese foi atestada Celeste Hagatong, com a presidente do Banco Português de Fomento (BPF) a destacar ainda a importância das oportunidades em aliar os serviços prestados pelo setor público, quer na saúde quer na educação, a esta ferramenta, que "já está muito mais presente do que pensamos", numa "revolução do próprio Estado".

 

* Texto editado por Rui Neves

 

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