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Seguros de crédito e digitalização nos caminhos da exportação
14/05/2019 12:05

A Caetano Bus prepara-se para apresentar um autocarro movido a hidrogénio, um protótipo que resulta de uma parceira com a Toyota, e para o qual já tem encomendas para 2020 mas a questão que se colocava era quem é que financiava estes riscos, perguntava Carlos Rodrigues, diretor industrial da Caetano Bus. "A política de riscos dos bancos europeus mudou radicalmente por causa da regulação", começou por afirmar Luís Almeida e Sousa, CEO do BBVA. "De qualquer modo o BBVA tem uma linha de 100 mil milhões para financiar projetos de sustentabilidade", informou, para concluir, com ironia, que face às políticas de gestão do risco: "se aparecesse com uma boa ideia no banco era complicado, mas se for para a sustentabilidade está safo".Da banca para os seguros de crédito, nomeadamente os de garantia de Estado, no primeiro workshop das Exportadoras Outstanding, promovido pelo Forum para a Competitividade na Porto Business School no passado dia 8 de Maio. "O seguro de crédito com garantia de Estado é a política pública de apoio às exportações mais importante, até porque pode ser utilizada sem qualquer restrição", referiu Celeste Hagatong, presidente da Cosec. Eurico Brilhante, secretário de Estado da Internacionalização, afirmou que "os seguros de crédito à exportação em Portugal têm uma base pequena de clientes, que é preciso ampliar a base tanto nos seguros de crédito com garantia de Estado como nos outros".Sublinhou ainda a criação recente de seguros de caução com garantia de Estado para as empresas de construção para adiantamentos e boa execução e de um seguro de crédito a longo prazo, com 100 milhões, "que é fundamental para a indústria metalomecânica vender os seus equipamentos".Há 50 anos a Cosec nasceu como agência de crédito para a exportação para conceder seguros de crédito de apoio público quando se trata de um país para o qual nenhuma seguradora faz um seguro de crédito por razões de atrasos de pagamentos ou outros motivos, que aumentam o risco-país, e abrange cerca de 80 países. "Este instrumento tem sido fundamental para as relações comerciais entre Portugal e Angola, Moçambique, Cabo Verde e Timor. Tem servido também para as empresas de construção se expandirem para outros países africanos", disse Celeste Hagatong, Referiu que, por exemplo, "a linha para Angola é de 1,5 mil milhões de euros, é revolving, e já existe há dez anos. Não tem havido dificuldades da banca financiar estes projetos que são em média de oito anos e nunca houve problemas para os bancos". Eurico Brilhante concedeu que o Estado ainda ganha dinheiro com estes seguros com garantia.Pacífico e digital"O eixo do crescimento económico vai ser a Ásia-Pacífico, por isso as empresas não podem ficar nos mercados tradicionais mas tem estar em mercados onde vai haver mais riqueza, negócios e consumo. Os empresários têm de ter mais vontade de risco", salientou Luís Castro e Almeida. Disse ainda que com a revolução digital, "o banco tem capacidade de apoiar as empresas em qualquer país, tendo ou não presença física, pois tem vários instrumentos digitais e globais". Aproveitou para salientar que o índice de digitalização do comércio eletrónico das empresas portuguesas é muito baixo. "Cerca de 75% dos sites das empresas portuguesas não têm comércio eletrónico, quando é uma forma de quebrar barreiras e poder vender em qualquer país". Deu o exemplo da mexicana CEMEX que começou a vender cimento pela internet, que já tem um peso no seu negócio no México e "só tem de se preocupar com a logística e não com um aparelho comercial físico de lojas e armazéns".Paulo Oliveira e Silva, diretor central da direção de banca de grandes empresas e institucional da Caixa Geral de Depósitos, disse que "as empresas para crescer têm de fazer a internacionalização, tanto pela exportação como pela presença industrial, comercial. Mas há riscos muito variados que podem ser mitigados por produtos bancários ou de seguros".Deu como exemplo a vantagem de ser ter o cash-flow e a dívida na mesma moeda, e recordou casos de empresas em Angola que tinham grandes volumes de cash-flows na moeda angolana e dívida em euros. A situação financeira era boa, mas, com a crise em Angola não conseguiram solver os seus compromissos em Portugal. Referiu ainda que as empresas devem fazer uma diversificação de clientes, países e espaços geográficos, para terem uma maior resiliência. Celeste Hagatong aduziu que a "diversificação de mercados é crucial" e que há várias empresas que são pequenas e que só exportam para um país e que 10% das empresas valem 20% das nossas exportações.

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