Ministra defende entrada na REN e luz mais barata. Foi "a notícia que mais gostei de dar aos portugu 09/09/2026 13:24:00

A ministra explicou, na Comissão de Ambiente e Energia, que a participação estatal de 13,7% na REN - Redes Energéticas Nacionais permite ao Estado ter uma intervenção adicional numa empresa responsável pelo transporte de eletricidade e pelo transporte e armazenamento de gás, além dos instrumentos de que já dispõe através do planeamento das redes e da regulação independente."Portanto, é aumentar a capacidade do Estado para influenciar a partir de dentro porque já podíamos influenciar a partir de fora", afirmou."É mais uma ferramenta para defender o interesse público numa empresa que é essencial ao nosso sistema energético português", afirmou Maria da Graça Carvalho, numa audição na Comissão de Ambiente e Energia.Maria da Graça Carvalho reiterou que a decisão se prende essencialmente com razões de soberania, interesse público e segurança nacional, incluindo a cibersegurança, e acrescentou uma dimensão geopolítica à justificação da operação. "É também uma questão geopolítica", afirmou.Questionada sobre o facto de a maior acionista da REN ser a State Grid, empresa pública chinesa, a governante disse que até agora não existiram problemas nessa relação. "Eu gostaria de dizer que até ao momento não tivemos nenhum problema com esse facto e temos uma relação de diálogo e de trabalho boa", afirmou.A ministra ressalvou, contudo, que a evolução do contexto internacional justifica uma maior atenção do Estado ao controlo de ativos considerados estratégicos, sobretudo quando estão envolvidos acionistas de países de fora da União Europeia."Amigos que deixam de ser amigos e que apresentam ameaças. Portanto, há toda uma importância de nós controlarmos o que é estratégico", afirmou.A ministra defendeu ainda que a participação do Estado na REN pode ajudar a acelerar investimentos na rede elétrica, necessários para aumentar as renováveis, e contribuir para reduzir o preço da eletricidade."Para diminuir o preço da eletricidade, temos que aumentar, por exemplo, a percentagem de solar e de renováveis, que são de muito mais baixo custo do que as outras tecnologias", afirmou Maria da Graça Carvalho no parlamento.Além disso, segundo a governante, vários investimentos previstos para Portugal estão atualmente dependentes da existência de capacidade na rede elétrica. "Nós temos uma lista grande de investimentos muito importantes para serem feitos em Portugal que estão dependentes da disponibilidade de rede elétrica", afirmou.Maria da Graça Carvalho defendeu que aumentar o peso das energias renováveis exige que os investimentos na rede sejam realizados rapidamente e nos locais onde são necessários. "E para isso, precisamos de fazer rapidamente os investimentos necessários, onde eles são necessários", disse.A ministra sustentou que a posição acionista do Estado na REN acrescenta um instrumento de intervenção aos mecanismos já existentes através da aprovação dos planos de desenvolvimento e investimento e da regulação independente.A governante rejeitou também que a aquisição de 13,7% da REN tenha resultado de uma decisão precipitada, afirmando que o tema vinha a ser trabalhado desde a entrada do Governo em funções, em 2024.Foi "devidamente preparado, com muitos cenários desenhados, e, portanto, não foi algo que, como alguns órgãos de comunicação social, porque talvez não tenha sido tudo isto explicado, disseram que tinha sido uma decisão precipitada", afirmou.Questionada sobre o preço da aquisição, Maria da Graça Carvalho remeteu os detalhes financeiros da operação para o ministro das Finanças, explicando que o seu trabalho se concentrou nos cenários relacionados com a área da energia."E, portanto, eu acho que esta notícia, embora tenha sido criticada, é a notícia que eu mais gostei de dar aos portugueses", afirmou."Estou muito orgulhosa de pertencer a um governo que deu esta notícia aos portugueses e que teve coragem de a dar. Não era fácil", acrescentou.