Nickel quer parcerias com autarquias para reforçar rede de levantamento de dinheiro 07/08/2026 08:53:38

A Nickel, que pertence ao grupo BNP Paribas, quer fazer parcerias com autarquias ou outras entidades públicas para disponibilizar serviços de levantamento de dinheiro vivo em locais em que não existam, disse à Lusa o responsável da empresa em Portugal.Em entrevista à Lusa, João Guerra citou o recente estudo do Banco de Portugal sobre acesso a numerário que concluiu que em muitas regiões de Portugal, sobretudo no interior do Continente, as populações não têm acesso fácil a notas e moedas, considerando que é onde a Nickel pode ter um papel importante."Faz sentido parcerias para nessas zonas, de forma fácil e rápida, colmatar necessidades", afirmou, referindo-se a parcerias com câmaras municipais, juntas de freguesia ou espaços cidadão.A Nickel, empresa de pagamentos, tem atualmente 750 pontos de venda em Portugal e quer continuar a crescer na rede de agentes. Segundo João Guerra, os agentes estão situados sobretudo em zonas de maior densidade populacional mas a empresa também tem interesse em crescer em zonas mais despovoadas.Contudo, acrescentou, aí muitas vezes há a dificuldade de encontrar parceiros com condições para prestarem esses serviços, pelo que parcerias com entidades públicas podem ser a solução e levar a essas regiões serviços financeiros essenciais como levantamento e depósito de numerário."Com parcerias com autoridades e autarquias locais é possível cobrir estes pontos e resolver problemas", vincou João Guerra.O Banco de Portugal divulgou um estudo, em julho, segundo o qual havia 1.241 freguesias sem "rede de acesso a numerário" em 2025, o que corresponde a 40% do total de freguesias, situando-se a maioria em zonas rurais.O banco central entende como pontos de acesso a numerário as caixas automáticas (caso das caixas Multibanco), agências bancárias com serviços de caixa (depósito e levantamento de dinheiro) e "pontos de cash-in-shop" (lojas, como tabacarias e quiosques, com acordos com a marca Nickel em que as pessoas podem fazer levantamento de dinheiro).Segundo o banco central, este modelo 'cash-in-shop', embora seja recente em Portugal, "poderá vir a desempenhar um papel relevante na extensão da rede, sobretudo em territórios onde a presença dos canais tradicionais seja mais limitada" e haja restrições ao acesso a notas e moedas.Em países como Alemanha, Países Baixos e estados Bálticos este modelo tem expressão significativa.A propósito das dificuldades de algumas populações em aceder a caixas automáticas, o Governo apresentou em julho o projeto-piloto Multibanco + Perto, que contará com 30 terminais em localidades sem rede bancária.Pertencente ao grupo francês BNP Paribas, a Nickel começou a operar em Portugal em 2022 e atualmente conta com 750 pontos de venda. A Nickel não divulga o valor da faturação em Portugal nem o número de clientes.Na entrevista João Guerra destacou que o crescimento tem sido feito por via orgânica mas, questionado sobre interesse em eventuais aquisições, como do banco CTT, admitiu que podem "estar abertos a compras ou parcerias caso apareçam". "Não fechamos a porta de todo. Mas nada está em cima da mesa, posso adiantar", afirmou.Em Portugal, a empresa tem 32 trabalhadores. É ainda apoiada pelas equipas que estão em França, sede do BPN Paribas.Para ter acesso aos serviços da Nickel as pessoas têm de abrir uma conta e desde esse momento pode fazer operações como transferências, débitos diretos e levantamentos e depósitos nos agentes da rede (com limites).Os dinheiro depositado em contas Nickel está coberto pelo Fundo de Garantia de Depósitos de França (igual ao português, até 100 mil euros).Já a supervisão comportamental pertence ao Banco de Portugal. Assim, será o Banco de Portugal a receber as eventuais queixas de clientes bancários e a proceder a análise e eventuais sanções.