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Tirar ideias para o meu funeral
20/04/2021 19:20

Assisti ao funeral do príncipe Philipe na primeira fila, colada ao ecrã. Plagiando a graça de um dos meus irmãos, senti-me da família, tendo em conta o anúncio de que a cerimónia era exclusivamente para os parentes mais próximos. Fiz questão de o fazer porque é estúpido não vivermos a História ao vivo, e depois deleitarmo-nos com reconstituições numa qualquer novela televisiva, sem memória direta do que podíamos ter presenciado. Mas interessou-me ainda mais porque nos disseram insistentemente que todos os detalhes tinham sido planeados pelo próprio. Hum, pensei, que boa ideia. E lá me sentei, de bloco de notas em punho, para tirar ideias para o meu próprio funeral. Dispenso o Range Rover, mas quero a parada militar, com todos os seus simbolismos ancestrais, quero cânticos, selecionados pela música, mas também pela letra, e basicamente todos os ritos a que tenha direito. Com séculos e séculos de existência, são divinalmente pensados para consolar os que ficam que, afinal, são aqueles que mais precisam de conforto.

Face a tudo o que vi só lamentei, mais uma vez, que cerimónias tão sublimes, elogios tão magníficos e sentidos não sejam feitos em vida, quando ainda os podemos escutar — e ver os outros escutá-los —, e inclusivamente acrescentar (ou riscar) nomes ao nosso testamento. Há alguns exemplos de quem tenha conseguido obter este privilégio mas, tanto quanto sei, apenas na literatura — o Tom Sawyer ouviu sobre si próprio maravilhas que nunca tinham sido pronunciadas nem antes da sua suposta morte, nem muito menos depois de terem percebido que se fingia de morto, e o horrível Mr. Scrooge, graças à visão do seu enterro ainda foi a tempo de se tornar melhor pessoa. Mas como tudo se encontra no Google, antes de escrever este texto fui confirmar se alguma funerária para a frentex já concretizara este meu desejo, e o que encontrei deixou-me com pele de galinha: na Coreia do Sul multiplica-se uma suposta terapia que oferece às pessoas que sofrem de depressões, ansiedades e terror da morte, a oportunidade de se fecharem em caixões durante dez minutos (tem um buraquinho de segurança), para supostamente ressuscitarem novinhos em folha, com todos os seus medos ultrapassados. Fechei logo. Não é decididamente nada desta banha da cobra que procuro. Empresários, a boa notícia é que ainda está tudo por fazer.

Falando agora muito a sério. Acabei de ler “A Matter of Death and Life”, um livro extraordinário de Irving D. Yalom e Marilyin Yalom, um diário a quatro mãos de como viveram os meses que antecedem a morte de Marilyin, e que ele continua sozinho, para lá do momento em que perdeu o amor da sua vida, a mulher com quem viveu 70 anos. Temos tanto medo da morte, tanto medo de falar dela, sobretudo com quem está na reta final de uma doença terminal, que a honestidade destas duas pessoas é quase um murro no estômago. Mas não é apenas um relato, e não tem nada de macabro. Irving D. Yalom é um psiquiatra e psicoterapeuta que há anos nos maravilha com os seus livros — romances como “Quando Nietzsche”, ou “O Problema Espinosa”, e livros sobre a psicoterapia existencial, como o obrigatório “De olhos fixos no Sol” —, e que agora se analisa a si mesmo, à vista do leitor. Não se pinta de anjo, nem de mártir, expõe com toda a sinceridade sentimentos contraditórios que coexistem em todos nós nesta altura: a saudade, a tristeza, mas também o alívio; o desejo genuíno de trocarmos de lugar com o outro, em simultâneo com o impulso de continuarmos a viver; o desamparo absoluto de quem se descobre sozinho depois de uma vida inteira partilhada a dois, e que tem de, aos 88 anos, aprender pela primeira vez a ser um “adulto independente”. Até à última página confirma as certezas que defende em toda a sua obra de que quanto menos arrependimentos tivermos, quanto mais tivermos vivido plenamente, mais fácil será aceitar o dia em que tudo acaba.

 

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